quinta-feira, julho 17, 2003

galera....esse aih eh meio longo mas vale a pena...vivi me mandou a muito tempo atras e eu amei, agora o pessoal da UJS mandou d novo...segura:

> >>FODA-SE -(por Millôr Fernandes)
> >> >
> >> >" O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a
> >>quantidade
> >>
> >> >de "foda-se!" que ela fala". Existe algo mais libertário do que o
> >>conceito
> >>
> >> >do "foda-se!"?
> >> >
> >> >O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.
> >> >
> >> >Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então
> foda-se!".
> >>
> >> >"Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!" O
> >>direito
> >>
> >> >ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.
> >> >
> >> >Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos
> >>e
> >> >criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com
> >>a
> >> >maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
> >> >
> >> >É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português
> >> >Vulgar que vingará plenamente um dia.
> >> >
> >> >"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de
> muita
> >>
> >> >quantidade do que "pra caralho"? Pra caralho" tende ao infinito, é
quase
> >>
> >> >uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho . O
Sol
> >>é
> >> >quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de
cerveja
> >>
> >> >pra caralho, entende?
> >> >
> >> >
> >> >No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta
> >> >negação, está o famoso "Nem fodendo!" O "Não, não e não!" é tampouco e
> >>nada
> >> >eficaz e já sem nenhuma credibilidade . O "Nem fodendo!" é
irretorquível
> >>e
> >> >liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras
> >>
> >> >atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17
> >>anos
> >> >te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo
> >>nem
> >> >paciência. Solte logo um definitivo: "Marquinhos, presta atenção,
filho
> >>
> >> >querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro
> >>Shopping
> >>
> >> >se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a
curtir
> >>o
> >> >CD do Lupicínio.
> >> >
> >> >
> >> >Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações
onde
> >>
> >> >nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo
> >>
> >> >escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível
> >> >imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.
> Como
> >>
> >> >comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PHD porra
> >>nenhuma!"
> >>
> >> >ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra
> >> >nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem
> estar
> >>
> >> >interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia
> >>pública
> >>
> >> >de um canalha. São dessa mesma gênese os "aspone", "chepone", "repone"
> >>e
> >> >mais recentemente o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros
> >>
> >> >palavrões igualmente clássicos.
> >> >
> >> >
> >> >Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou seu correlato
> >> >"Pu-ta-que-o-pa-riu!!!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por
> >>sílaba.
> >>
> >> >Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito
> >>assim
> >>
> >> >te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e
> >>clima
> >>
> >> >para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um
merecido
> >>
> >> >troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
> >> >
> >> >E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e
> >> >reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou
> >>o
> >> >bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do
> >>
> >> >suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega!
Vai
> >>
> >> >tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida,
> >>sua
> >> >auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face,
> olhar
> >>
> >> >firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
> >> >amor-íntimo nos lábios.
> >> >
> >> >
> >> >E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior
> >>poder
> >>
> >> >de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais
> >> >avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais
exata,
> >>
> >> >pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo
> >> >imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma
vez
> >>
> >> >proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior
de
> >>
> >> >alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo
bêbado,
> >>
> >> >sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma
sirene
> >>de
> >> >polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de
> >> >vez!".
> >> >
> >> >
> >> >Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!!!"

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